domingo, 6 de dezembro de 2009

Pet: a redenção do quase craque


Depois de 8459 repetições da cantilena de que “Petkovic chegou ao Flamengo contra a vontade de boa parte da diretoria, foi bancado por Delair Dumbrowski e sua contratação foi motivo de chacota para os rivais e para boa parte da imprensa”, e que “o tempo provou só o Delair estava certo”, é necessário, com o título rubro-negro, reconhecer que o sérvio foi importantíssimo na conquista. Mais do que isso, ele reergueu sua carreira, que se encaminhava para um final absolutamente discreto e longe dos holofotes que o cercaram durante os 12 anos em que o meia está no Brasil, entre idas e vindas.

Mas é também necessário atentar contra algumas megalomanias de torcedores, que, embriagados pela paixão devotada ao Flamengo e a escassez de ídolos vivida pelo clube nos últimos anos, chegaram a compara-lo com Platini, Zidane, e até mesmo Zico. O fato de Pet ter sido – não incontestavelmente, mas sim, na minha opinião – o melhor jogador do Brasileirão, apenas ratifica sua condição de grande jogador, mas não o coloca como um dos maiores de todos os tempos.

Pet, aliás, não foi nem o melhor meia de sua geração a passar pelo futebol brasileiro. Contemporâneo de nomes como Rivaldo, Giovanni, Marcelinho Carioca e Djalminha, foi inferior a todos eles, e se o deslocarmos para o ataque, posição em que jogou algumas vezes, a concorrência com Edmundo também é ingrata. Podem ser incluídos nessa lista nomes como Juninho Paulista, Zé Roberto e Juninho Pernambucano.

Se abrirmos as fronteiras, Pet fica abaixo dos /72 Zidane, Nedved e Figo, que dispensam maiores apresentações. E poderia ser comparado, com algum esforço, ao finlandês Jarí Litmanen, meia do Ajax campeão de tudo em 1995. Mas foi melhor do que o habilidoso e ciscador Ariel Ortega.

Estar em um patamar abaixo de todos esses jogadores, porém, não anula o grande campeonato que Pet fez. Ser o maestro de um time aos 37 anos é algo digno de respeito e não pode ser desmerecido. Mas colocá-lo entre os grandes do futebol mundial é forçar a barra, e é possível que a maioria dos flamenguistas, depois da ressaca do título, perceba isso.

6 comentários:

  1. Seria justo e elucidativo que o blogueiro divulgasse também qual é o seu time do coração na descrição do blog. Eu sei qual é...

    ResponderExcluir
  2. Sem problemas. Sou vascaíno. Vi Pet no meu time e o admiro como jogador, assim como dois jogadores dos quais eu citei foram revelados no Flamengo.

    A carreira de todos os citados acima, com mais títulos por seus clubes e seleções do que Pet, fala por si só, mesmo que sejam descontadas as circunstâncias ruins de sua trajetória.

    ResponderExcluir
  3. Pet é craque sim, mas realmente dos citados só é melhor do que o alcólatra do Ortega e do que a lástima do Juninho Paulista.Atualmente no Brasil, só o Conca joga mais do que ele. Quando o Fluminense perdia até pro time de cegos do João Paulo, o Conca jogava bem.

    ResponderExcluir
  4. Craque também é incensado pela torcida. Pet foi e é.Não ter sucesso em outros times pode ser um detalhe da biografia de um craque identificado com uma bandeira, um manto (no caso, sagrado).
    Ele foi decisivo várias vezes, não pipocou nunca e ainda tem o aspecto épico ligado a idade atualmente.
    Existem craques melhores que outros craques, ai eu concordaria, se este fosse o argumento. Mas dizer que ele não é craque soa magua.
    Será que o distanciamento não poderia mudar esta opinião?

    ResponderExcluir
  5. Não. Pet jogou bem e salvou o Vasco do rebaixamento. Nunca me recusei a achar fulano ou beltrano craque porque jogou ou deixou de jogar no Flamengo. E, com todo o respeito, se seguirmos essa lógica de craque incensado pela torcida, podemos chegar à conclusão de que Obina e Renato - eleito o craque do Brasileirão 2006 pela torcida do Flamengo e jogador reconhecidamente limitado - são craques. A torcida no máximo incensa ídolos, em minha opinhão. Pet é ídolo do Flamengo, fez por merecer, foi o melhor do Campeonato e tudo mais. Mas está abaixo de todos esses citados, e, além de tudo, contou com a ajuda de Adriano.

    Pet tem 12 anos de carreira no Brasil e esse é o primeiro título nacional que ele ganha no Brasil, somado a dois na antiga Iugoslávia - onde, jogando pelo Estrela Vermelha, tinha a obrigação de ganhar -. Pouco, muito pouco se comparado aos supracitados.

    ResponderExcluir
  6. Correção: Pet jogou bem e salvou o Vasco do rebaixamento em 2004. Aliás, ele também jogou em 2002, quando foi ofuscado por Ramón.

    Aliás, em 2000 e 2001, quando atuou pelo Flamengo, foi reserva em vários jogos.

    Jogou bem no Fluminense em 2005. Mas foi mal no próprio Fluminense em 2006 e teve passagens ridículas por Santos, Atlético Mineiro e (pasmem!) Goiás, um clube onde até o Léo Lima jogou bem esse ano.

    ResponderExcluir